Tu és a familia que eu escolhi, apesar deste afastamento físico, estás sempre presente, umas vezes na cabeça, outras vezes no coração, mas sempre presente. És a família porque não sei se te lembras, chegávamos a dizer que éramos primos, coisa mal explicada quando perguntavam porquê. Mas queria ter direitos na tua amizade que só os laços de família explicam. Não sei se alguma vez convencemos alguém, até porque eu era bastante mais alto, mais loiro do que tu.
Penso em ti quando penso o que podia ter sido e não foi e o que foi que não podia ter sido.
És o meu mais velho amigo, o mais antigo, aquele que eu refiro sempre que conto os amigos, o número 1, a letra A. E isso é assim sem estarmos juntos, sem nos falarmos todos os dias, sem sabermos do Natal ou do ano novo um do outro. Mas é assim, acredita, não é circunstância nem prosa de aniversário dos 50 anos. É assim que sinto sempre.
Também eu achei mágico o nosso reencontro de Santiago. Algumas coisas na minha vida aconteceram como nos livros, como no cinema, e esse nosso reencontro foi um desses momentos. E também o nosso afastamento foi carregado de exagero, parvo, inútil, inexplicável.
L, não é só de ti que me lembro, mas também da tua Mãe, do chiffon de chocolate que eu tenho procurado em vão pela minha vida fora e que a tua Mãe fazia e te enviava para a Escola Preparatória, para o Colégio embrulhado em prata. Lembro-me de ti, do teu irmão que já não está connosco, do teu Pai, da serenidade da tua Mãe. Adorava a tua Mãe.
E é isto, L. Um pequeno resumo do que se passa na minha cabeça quando me lembro de ti, de Moçambique, do Colégio, da primeira vez que montei a cavalo, quando me lembro de namoradas e de Santiago de Compostela. Para quem tem estado tão pouco na minha vida, estás muito presente e sempre bem.











